A comunicação não-violenta como ferramenta para conviver na cidade

Carmen Guerreiro

É muito maluco pensar nas grandes cidades como espaços de confinamento de milhões de pessoas diferentes entre si. Lugares em que opiniões, gostos e interesses diversos convergem e, invariavelmente, se confrontam. Quem aí não tem mais de uma história por dia de disputa no espaço urbano? No trânsito, na calçada, na praça, no parque, no trabalho, em casa. Cada um de nós tem uma coleção inesgotável de experiências para contar. A boa notícia é que existe uma ferramenta para lidar com esses conflitos: a comunicação não-violenta (CNV).

Já falamos aqui no Formiga-me sobre essa dificuldade de compartilhar o espaço urbano, porque para isso é preciso ceder. E como é comum a gente não querer ceder!

Um mundo de donos da verdade

A Carol Nalon, especialista em CNV, fala com a gente no vídeo abaixo sobre esses dilemas. Ela, que tem um TEDx falando sobre essa ferramenta (e um mini curso online e gratuito), explica como se comunicar com empatia nos espaços compartilhados. E sugere um exercício: em vez de pensar em como convencer o outro, ou dizer que ele está errado, devemos parar antes para questionar por que será que ele pensa daquela forma. “O que você acredita não é o que é verdade, e isso é um princípio básico”, diz. Se não enxergamos isso, segundo ela, já estamos fechados e impondo nossa verdade ao outro.

Na nossa conversa, Carol também fala sobre suas experiências urbanas, passando da comunicação com a síndica do condomínio até o homem que pedia dinheiro no farol. E explica como a CNV pode contribuir para entender limites, reduzir a agressividade e ampliar a harmonia entre as pessoas, na direção de soluções urbanas que atendam a interesses diferentes. “É muito desafiador. Porque a gente tem nossas vontades, nossas expectativas. Mas como a gente quer que o Brasil seja? Corre o risco de ficarmos sempre só reclamando. Mas o Brasil sou eu, é você”, provoca Carol. Aperta o play!

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