Bike Anjo: como aumentar a segurança para pedalar na cidade?

 

 

FAÇA VOCÊ MESMO!

Quer fazer parte do Bike Anjo ou criar uma iniciativa semelhante em sua comunidade? Essas informações vão te dar uma ideia mais concreta de como o projeto se estrutura

Como apoiar ou fazer parte? Como voluntário, ou com novas ideias e sugestões, ou com doações. Mais informações aqui

Pessoas envolvidas: 2.000 voluntários em todo o Brasil

Quem faz o quê: 1 presidente, 1 diretor financeiro, 1 diretor administrativo, 30 coordenadores locais, 5 membros do conselho consultivo e 3 conselheiros fiscais

Há quanto tempo existe: Desde novembro de 2010

Materiais utilizados: Papelaria, adesivos, bicicletas, ferramentas e banners (nas atividades ao ar livre)

Tecnologia: notebooks e projetores

Locais de intervenção: Praças, parques, ruas, escolas

Serviços contratados: Nenhum. Voluntários se dividem nas tarefas

Passo a passo:

  • Trazer pessoas que não têm segurança para pedalar para participar de eventos ciclísticos que já acontecem, como a bicicletada
  • Chamar voluntários para ampliar a rede
  • Fazer campanha de financiamento coletivo para bancar ampliação no curto prazo
  • Estabelecer parcerias (prestação de serviço, apoios institucionais e patrocinadores) para viabilizar iniciativa no longo prazo

Problema inicial: Pessoas que tinham medo de usar a bicicleta como meio de transporte nas cidades e motoristas desinformados sobre os direitos dos ciclistas

Proposta: Vontade de trazer mais pessoas e bicicletas para as ruas.

Parcerias: SESC e Itaú

Como se sustenta financeiramente: Parcerias, prestações de serviços e apoios institucionais

Quanto custa? Em 2014, as despesas de toda a rede somaram pouco menos de R$ 150 mil

Planos para o futuro:

  • Expandir o Programa Escola Bike Anjo de São Paulo para outras cidades
  • Criar um centro educativo para o programa e ter pontos da oficina em cada uma das regiões da capital paulista
  • Expandir a rede Bike Anjo

 

Quem incorporou a bicicleta como meio de transporte no dia a dia não poupa elogios: melhorou a disposição, a saúde, sua relação com os espaços públicos e até o tempo de deslocamento. Na prática, no entanto, o medo faz com que muitos não tenham coragem de encarar o guidão todos os dias na cidade. Não é à toa: quem mora em grandes cidades sabe que o trânsito não costuma ser amigo dos não-motorizados. Nos últimos anos, no entanto, a bicicleta está fazendo um retorno e conquistando seu espaço – que já lhe é garantido por lei, mas nem sempre respeitado.

Mesmo assim, o receio de se colocar em uma situação de risco continua sendo um obstáculo que impede muitos de pedalarem. E se tivéssemos anjos da guarda que nos protegessem e orientassem nesses trajetos feitos de bike na cidade? Pois eles existem. Em 2010, João Paulo Amaral, Carlos Aranha e Ian Thomaz, três amigos ciclistas de São Paulo, se uniram para começar a levar amigos na bicicletada, grupo de ciclistas que, inspirados no movimento da massa crítica, pedala junto na última sexta-feira do mês.

Daí nasceu a vontade de empoderar mais pessoas para pedalar com segurança na cidade. A ideia do Bike Anjo é parear um ciclista experiente com outros, iniciantes ou não, para dar aulas de pedal, ajudar a traçar a melhor rota de bike na cidade e acompanhar o trajeto no trânsito – tudo isso sem qualquer custo para quem procura o projeto.

Em cinco anos, o Bike Anjo se tornou uma enorme rede com cerca de 2 mil voluntários em 350 cidades brasileiras – e já se expandiu para Portugal, Austrália, Equador, França e Estados Unidos.

Parceiros de pedalada, professores e guias

Para fazer parte da rede do Bike Anjo, basta acessar o site e escolher se deseja ser um voluntário ou se procura a ajuda de um Bike Anjo. A plataforma identifica voluntários próximos e coloca um deles em contato com o aluno.

São três tipos de atendimento:

  1. Acompanhamento no trânsito: um Bike Anjo te acompanha no trajeto desejado, guiando, protegendo e oferecendo dicas para se virar no trânsito;
  2. Elaboração de rota: sendo experiente ou não na bike, muitas vezes sabemos qual é o melhor caminho a pé, de transporte coletivo ou de carro, mas não de bicicleta. Você pode pedir a ajuda de um Bike Anjo para essa tarefa;
  3. Aprender a pedalar: a rede promove oficinas periódicas e gratuitas, divididas em seis módulos.

Além disso, o Bike Anjo realiza e apoia diversas campanhas, como o Dia mundial sem carro, ações para não-ciclistas, ações para levar a promover as bikes na periferia e para incentivar as pessoas a pedalarem para o trabalho. Tudo isso é é sustentado por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas, e uma parceria com o banco Itaú – em 2014, as despesas da rede em todo o Brasil somaram R$ 150 mil, mas a operação é superavitária.

A bike e o espaço público

Andar de bicicleta pela cidade já é, por si só, algo que aproxima as pessoas da cidade. Estudos mostram que, devido à falta de barreiras em torno do ciclista, sua velocidade média e interação direta com os pequenos obstáculos das vias, eles tendem a se conectar mais com os lugares por onde passam.

Se isso, por um lado, comprovadamente beneficia espaços privados (comércios na rota de ciclistas observaram um aumento de vendas), também cria um sentimento de pertencimento aos espaços públicos – e a consequência disso é que o ciclista tende a cuidar melhor desses espaços, e incentivam outros pelo exemplo a fazerem o mesmo.

“A bicicleta não é a solução para a cidade, mas é uma das soluções”, defende Marcos Bueno, um dos coordenadores do Bike Anjo em São Paulo. “Em trajetos de até dez quilômetros, a bicicleta é mais eficiente que o carro. Em contrapartida, ajuda quem não quer optar pela bicicleta, porque uma bicicleta na rua é um carro a menos, e isso ajuda quem quer andar de carro.” Marcos faz parte da rede desde 2012, e de lá para cá participou de praticamente todas as oficinas oferecidas pelo Bike Anjo em São Paulo. “Essa oficina de ensinar a pedalar é bem gratificante”, diz.

Falta informação e sobra insegurança

Segundo Marcos, a dificuldade para quem quer começar a pedalar é quase sempre a mesma: não ter segurança para dividir as ruas com veículos motorizados. No entanto, isso está mudando rapidamente em São Paulo. O coordenador conta que as demandas no Bike Anjo aumentaram 40% com a recente ampliação das ciclofaixas e ciclovias na cidade. “São pessoas que tinham medo de ir para a rua, mas com a facilidade da ciclovia e da ciclofaixa, se soltaram”, afirma.

Para quem dirige, a maior dificuldade é a falta de informação. “Na maioria das vezes, se os motoristas brigam, xingam, reclamam que bicicleta não tem que estar na rua, não é porque não gostam de bicicleta, não gostam de você ou estão mal humorados. É porque não têm a informação de que a bicicleta é um veículo, está no código de trânsito e tem o direito de estar ali como ele”, analisa Marcos.

O vídeo da oficina do Bike Anjo, que você confere acima, foi feito no dia da inauguração da ciclovia da avenida Paulista, ponto importante de São Paulo. O evento foi marcante para toda a cidade, mas particularmente emocionante para Marcos e outros cicloativistas. “Estou há mais ou menos seis anos ligado ao movimento cicloativista, batalhando para ter bicicletas na rua. Só que tem gente que está batalhando por isso há 15, 20 anos”, conta. “Não significa só mais um trecho de ciclovia em São Paulo, mas um marco, porque é o cartão postal da cidade e, a partir de agora, a bicicleta é aceita ali, então espalhar para os outros lugares vai ser mais fácil.”

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Sobre o autor

Carmen Guerreiro

Carmen Guerreiro

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Jornalista, escritora, paulistana, empreendedora e apaixonada por cidades. Gosta de: viajar, escrever, ouvir histórias, fotografar, aprender, ouvir música, conversar, andar pela cidade, dançar, cozinhar, comer, descobrir, pesquisar, observar. Não gosta de: egocentrismo, extremismo e injustiça (e maionese industrializada)

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