Dá pra considerar a vida na cidade um jogo?

Participando do Hack Town, decidimos assistir a palestras sobre jogos para entender como esse assunto, hoje tão associado à educação e à tecnologia, poderia ser trazido para o campo das cidades. A resposta mais elucidativa para essa dúvida veio de um garoto de 10 anos que assistia com a gente à fala do André Braga, professor de Jogos e Educação na pós-graduação da Faculdade Flamingo.

Um pouco de contexto: o palestrante pediu que a plateia listasse algumas características dos jogos, e destacou em seguida quatro delas que os especialistas da área consideram essenciais: jogador, regras, desafio e feedback. Em seguida, perguntou se essas eram qualidades encontradas na sala de aula, o que gerou um debate muito legal. E o Gabriel, esse menino que participava, levantou a mão para dizer uma vantagem dos jogos em relação à sala de aula é que no primeiro caso é permitido testar, fracassar e tentar novamente, o que é estimulante. Na escola, não.

Dispensa dizer o quão maravilhoso foi esse comentário (que recebeu aplausos de todo mundo ali, aliás). O que pensei a partir dele é o seguinte: não só isso reflete a realidade da sala de aula, mas da nossa vida nas cidades. Significa que temos que viver num mundo de fantasia? Não é isso que estou falando. Mas podemos pensar em uma maneira de nos relacionarmos com os espaços públicos de forma que a tentativa, a prototipação, a readaptação faça parte do processo de transformar a cidade em um lugar que faça sentido para todos. Estamos acostumados no contexto urbano, assim como nas escolas, a receber tudo pronto de cima (dos “responsáveis”). Mas por que nós também não somos corresponsáveis? Não há debate, abertura para tentativa, erro e conserto.

E qual é o problema disso? Desacreditamos no nosso protagonismo e nos desanimamos, achando que não temos um papel na construção do nosso conhecimento (na escola) e das cidades, que não existe forma de contribuirmos e que em nada podemos influenciar. E isso não é verdade! Vivenciar a cidade deveria, portanto, ser uma experiência estimulante, através da qual as pessoas sentissem que sua atuação faz diferença na forma como os espaços se configuram. Quando delegamos as “regras” somente às autoridades, viver nas cidades pode ser tão chato quanto uma aula monótona em que professor fala, aluno escuta.

Leia mais: fizemos um post com um apanhado dos aprendizados que tivemos no Hack Town 2017! Dá uma lida.

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Sobre o autor

Carmen Guerreiro

Carmen Guerreiro

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Jornalista, escritora, paulistana, empreendedora e apaixonada por cidades. Gosta de: viajar, escrever, ouvir histórias, fotografar, aprender, ouvir música, conversar, andar pela cidade, dançar, cozinhar, comer, descobrir, pesquisar, observar. Não gosta de: egocentrismo, extremismo e injustiça (e maionese industrializada)

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